18/08/2017

agnosco veteris vestigia flamæ


...a pena arranha o papel alvo na noite escura. são memórias de um tempo que já passou e que não quer voltar nem pelo ouro de mil sóis que brilham lá numa galáxia qualquer. e as tuas lágrimas Efigénia que um dia alimentaram fontes e almas e tudo não existem já hoje nem em sonhos nem memórias nem o ouro de mil sóis e nada nada me parece capaz de voltar a essa realidade ou a esse sonho. continuo à procura da luz da lucerna que insisto em não acender. à espera de um sonho que me retorne à realidade. espero voltar a reconhecer o queimar da chama antiga e os sons e os cheiros e as memórias ah - sempre as memórias - de uma história que não foi escrita nem acabada nem terminada. como um pó ao vento um pigmento intemporal que jamais pode voltar a ser usado nem pelo ouro de mil sóis nem por todas as lágrimas de Efigénia.

11/07/2017

montibus






















Não existem montanhas onde estou. Só e apenas uma planície infidável que se estende até ao mar frio que não reconheço. De um azul sombrio, de uma calma funesta, que tudo consome e tudo limpa.

As memórias essas, são já tão vagas que temo um dia não recordar nem a força que um dia tive, nem a mão que segurou a espada e o livro, nem nada, nada nada, que me faça lembrar de mim mesmo. Existe apenas esta planície infindável.

E na sua imensidade transformei-me, e quase esqueci o passado.

A inércia não faz parte da Grande Obra, porquanto o grande não pode esperar pelo pequeno.

A ti m.
m de mistério, m anónimo que continua a puxar por uma vida que devia ter já cedido, mas que continua a lembrar vagamente que um dia existiu uma outra luz, e montanhas. m de montanha, que um dia teve um farol no seu cume, de luz sagrada, e que guiava os filhos de regresso a casa.

26/04/2017

Vae solis!

ajuda-me

12/12/2016

Nada


Estavas a ouvir? Ouçamos juntos esse ruído imperceptível que nos afasta do sonho. A realidade dos sentidos. Mais um, novamente. Tão diferente, de objectivo tão comum, que a sua semelhança à realidade reflecte-se como num espelho negro.
Ouves? Sim, são esses passos inaudíveis que ecoam pelo infinito:

Na noite ecoante de sinos dobrados
Profundos ruídos vibrantes, exaustos
Sentimentos cruéis, comuns, à noite lembrados
Sons vagos na lembrança eterna,
Dores inaudíveis na grandeza dos fados


Ah, como vos perdeste Roderico! Mas o Camynho continua, vós sabeis tomá-lo. Encontrai-o e ilumina-lo-ei para vós, de guisa que nom vos percais, como sois teúdos de o fazer.

«Ser mais alto que os infantes, tão mais perto de ti, como dos Deuses, os poetas errantes, que de glórias se alimentam...»



Estas são palavras antigas, M.
Mas talvez seja o caminho para um novo começo, lembrar o Livro, e o que dele aprendemos.

27/11/2016


26/05/2016

É perto daqui onde estou


Mário Cesariny (1923-2006)
You Are Welcome to Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

17/11/2015





Faz do vento força
Faz da alma pureza
Faz da força vontade
Faz da vontade grandeza

das palavras ao vento música
do pensamento livre alegria
do som belo de uma idéia única
toda a força de querer ser um dia

15/07/2014

Voltar

Sentado sozinho nas fráguas do Zéfiro,
Pedi só um dia sonhar-te,
E em redes infinitas de penumbra e mistério
Enfim ao meu desejo prometeste revelar-te.

Desce suavemente a torra alva
Num turbilhão de cores que só tu conheces,
Revela-me hoje o segredo da estrela d'alba,
Mostra-me em luz o que se espera e o que me acontece.

Faz do sonho lenda, da história virtude
Em salões profundos de memórias esquecidas,
Em sonhos estranhos e visões de tule,
Nevoeiro e vagas de oceano adormecidas.

Sonhos altivos de alquimia,
Desejos secretos da antiga arte,
Hoje sonho só a escrita de um novo dia
E uma luz eterna de aprender e ensinar-te.

       – Hoje, tão longe que sou das fráguas do Zéfiro,
          E do sonho que pedi um dia.

14/07/2014













...e esta ânsia, esta ânsia só, de não saber o que faço, de não me reconhecer, de não ter luz, de não ter sede nem água que beba, e ter só estas palavras perdidas num rascunho de papel, palavras perdidas que nem pelo oiro de mil sóis chegarão um dia aos teus sentidos...

22/06/2014

Perdido, assim, na floresta porque afinal, afinal o caminho deixou de existir há muito e este trilho escuro e gasto que percorria confiante, por me julgar tão seguro dos meus passos — não, talvez apenas por achar que o tinha de trilhar — eis que desaparece, deixando-me assim sozinho com a minha voz, perdido na floresta.
Deixei para trás o passado e o futuro, a espada e o Livro e não vejo agora afinal luz por entre este estranho nevoeiro nesta floresta escura.

Eu já não sou finalmente nada, e tu Efigénia (percebi agora que és tu quem me assombra os sonhos) chegas como uma voz que ora me guia, ora me perde. E quando acordo, continuo perdido na floresta.
Esta floresta escura, vasta e fria, sem fim à vista.

E já nem dos sonhos me recordo, já nem do Livro tenho a memória, já de mim nada reconheço.

22/02/2014

Vae Solis!

Citando Mário de Carvalho, sinto-me "traído como um antigo herói das tragédias gregas".


01/01/2014

Ianuariis


Este ano começa numa Quarta-feira, Dia de Mercurio. Que seja então um grande ano!
Pater Ianus, Pater Mercurius, Pater Iupiter - assim seja!

Qua as palavras fluam, que o Caminho continue.

29/12/2013



Eis enfim todas as lágrimas não choradas. Eis a tristeza profunda que se colou a mim, eis o reflexo inexistente nesse espelho escuro e sem vida. Os caminhos não percorridos, as estradas, os mares sem fim à vista. Eis o caminho revelado, eis a história que se escreve, eis todos os planos nunca revelados à luz desta estranha via.
Eis essa loucura profana que intimida qualquer clareza de sagrado, eis essas novas canções, sons e surdos barulhos que procuras não ouvir. E aí estás tu - nesse caminho que não esperavas, num plano traçado sem mapas onde só os manes te podem acompanhar mas nunca guiar.
Eis mais um fim que começa agora. Procura e encontra-te. Volta a ti nesse lugar estranho, pois eis o caminho que continua.

A Obra, essa, não está acabada, e muito menos consumada. E tantas vezes a procurámos terminar no lado escuro do espelho, que não vimos que o espelho não era mais que uma porta para um novo caminho. Procura-te, e encontra-a.


09/12/2013

Theory of Colours from Phase47 on Myspace.

Roderico:
A música era uma grande parte do acto da escrita, porquanto acordava os sentidos, profundos, puros, sempre presentes e tão distintos. Sons como os que ouvira em sonhos, e de que se lembrava sempre, sempre. Da música, e dos sonhos.

29/11/2013

Regressa da fantasia

Ouve, sente, e olha. Consegues perceber as montanhas naquela penumbra rubra de sol frio?
É tão dificil distinguir as montanhas.
Volta, senta, e escuta. Consegues ainda conter as palavras, murmuradas a cicios de penumbra, em mais um dia escuro e infindável?
As palavras distingo. São como montanhas.

Volta e sente. Agora.


28/10/2010

Enquanto viveres, brilha


Hoson zēs, phainou
Mēden holōs sy lypou;
Pros oligon esti to zēn
To telos ho chronos apaitei.

As long as you live, shine,
Let nothing grieve you beyond measure.
For your life is short,
and time will claim its toll.

12/07/2010


Vae solis surgiu na continuação de um outro espaço que na sua (ou minha) procura, acabou por nunca se encontrar. No entanto, não se perdeu.

"Não procuro a minha resposta, mas sim o meu caminho, que passa pela avenida de luz, que acaba no nunca, ou que nunca acaba."

Vae solis surgiu como uma nova avenida, num passeio por mais uma noite escura. Hoje, não me revejo no seu propósito inicial, por ter descoberto outro caminho tão só oposto daquele que já percorri. Ainda assim, e porque o passado é a história escrita, aqui continuará a minha assinatura, e no futuro se verá.

19/05/2010

Mensagem

Epicuro: "O que é eterno e bem-aventurado não tem trabalhos, nem os dá a ninguém, uma vez que não são movidos nem pela ira nem pela graça, pois tais sentimentos demonstram fraqueza."

Se não procurássemos mais do que louvar devotamente os Deuses e libertarmo-nos das superstições, tal dito seria suficiente. É que a superior natureza dos Deuses é louvada com devoção pelos homens, precisamente porque é eterna e bem-aventurada - e justa é a veneração de tudo aquilo que é superior - e deste modo todo o medo em relação ao poder e à ira dos Deuses é posto de parte, ao perceber que quer a ira quer a graça estão longe de uma natureza imortal e bem-aventurada. Afastado tal sentimento (de medo), nada há que recear vindo de cima.

Marco Túlio Cicero
De Natura Deorum

28/01/2010


«O Homem não é um molusco nem a Alma um parasita. Que uma manifestação de arte seja uma manifestação intensa. Uma prova de cultura e de alegria de vida.»
Amadeo de Souza Cordoso (1887-1918)





27/01/2010

Reencontro



- Tens a mente cheia de coisas mundanas, e este lugar é feito de sonhos. Já não te reconheço, R.

É nos sonhos que se procuram respostas? A que perguntas não pensadas e de que lugares não marcados, em inúmeras tentativas de compreensão de algo que nunca existiu?

- Não consegues desvendar o passado porquanto tens medo de olhar o futuro.

Esse futuro que nunca existiu, e que se mostra em todos esses sonhos.

09/07/2008

Vae Solis!
















Vêde agora Ifigénia como o fado
na triste ventura má do agouro,
me apartou dela na triste sorte,
não iluminou palavras com folhas d'ouro.
Nem oráculo ou profecia
nos picos da montanha ou no mar longe,
Nem um murmuro - nada se ouvia,
Apenas o silêncio de um sentimento forte.

19/03/2008

Dead can dance on the writing of my left hand

E as reminescências profundas de um tempo que tão somente já passou, buscando interminavelmente por esse Sentimento tão profundo como a sua lúgubre voz. Arrepios á vista desse passado, sobre as memórias do infinito espaço branco a que chamaram história:

E quando te apartares do incólume mundo, e a tua alma breve que conhece a verdadeira essência do Ser se encontrar nesse etéreo infinito, recordarás esse passado, breve mas eterno.

} {

Daqui aos sonhos é a distância do vôo de uma ígnea ave, rapinando os meus sentimentos omissos, enquanto rasgas a secreta identidade que julgo conhecer.
Retornas sempre a esse lugar de ninguém, e nos entraves da fantasia revelas segredos que não existem, confidências que desconhecemos, perpetuando este infinito espaço branco a que chamo vazio, cheio de história a haver.


Espero hoje por ti novamente.

06/03/2008

Será necessária a sensatez do homem no momento em que reconhece a omissão dos sentimentos? Ou na sua perdição pode agir contra a temeridade própria da génese que fomenta a sua própria sensatez?

05/03/2008

Sobem


Intermináveis escadarias de palavras soltas. Degraus certos de uma morte que chega como música a ouvidos surdos com o eco da vida. Ei-los nessa perpétua janela assomados em vagas crescentes, inertes, ausentes.

Jazem agora sobre o murmúrio que se esvai como a vida exangue que abandona o corpo demente. Já não há vida, já nada se sente.


Antes morrer, do que nunca ter vivido.